Nathália Christina Gonçalves Yamakawa foi buscar no mar a resposta para a atividade biológica da fitoesfingosina – molécula da classe das ceramidas que tem aplicação em produtos cosméticos como o xampu. Essa substância, primeiramente isolada no Mar Vermelho por um grupo de cientistas egípcios, mostrou ter propriedade antiepiléptica, experiência que acaba de ser reproduzida no Laboratório de Síntese de Produtos Naturais e Fármacos do Instituto de Química (IQ). A tarefa foi possível graças ao uso de uma metodologia de síntese concebida pela pesquisadora durante a sua investigação de mestrado. Os autores do estudo já planejam fazer um pedido de patente.
Mais do que isso, ela também conseguiu sintetizar, no meio do processo, algumas moléculas semelhantes a açúcares que sinalizam potencial de uso para o desenho de inibidores de glicosidase, importantes no tratamento do diabetes. “Reunimos conhecimento químico para ir em direção à área de tecnologias, sobretudo farmacêutica”, constata Fernando Coelho, docente do IQ e orientador da pesquisa.
Particularmente, a descoberta envolvendo a epilepsia, realça ele, “abre perspectivas para a criação de uma nova linha de pesquisa cujo objetivo será desenvolver produtos que irão beneficiar os seus portadores”. Esta doença afeta mundialmente cerca de 50 milhões de pessoas, sendo 90% em países em desenvolvimento.
O docente expõe que a molécula de origem natural é muito grande e que não se sabe exatamente o que nela é responsável pela atividade biológica. “Mas conhecendo-se em que lado do fragmento há atividade biológica, será possível pensar em novas sínteses para ter outros compostos, protótipos e medicamentos”, acentua.
As drogas antiepilépticas mais empregadas no momento são, entre outras, a vigabatrina, a carbamazepina, o diazepam, o fenobarbital, a primidona e o valproato de sódio (ácido valproico), embora todas elas apresentem muitos efeitos colaterais, incluindo danos graves ao fígado, tanto que às vezes até precisam ser combinadas para atingir uma boa resposta. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 30% da população mundial convive com a realidade de não ter um medicamento para o controle das convulsões, evento que em geral pode se repetir com regularidade num quadro de epilepsia, descreve Nathália Yamakawa. Leia mai no Jornal da Unicamp.

Comentários