Pesquisa realizada no Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp demonstra que a taxa de mortalidade envolvendo motociclistas representou 50% dos acidentes fatais ocorridos em Campinas no ano de 2008. Desse percentual, as principais vítimas foram homens de 15 a 39 anos – no caso de condutores e ocupantes. Entre os anos de 1995 a 2008, segundo o estudo, as mortes dos pedestres diminuíram de 55,3% para 29,7%, enquanto as de ocupantes de moto aumentaram de 6,6% para 49,3% no conjunto total de óbitos. De cada mil acidentes que envolveram motos, 685 deles provocaram vítimas e quatro deles ocasionaram a morte de pedestres.
Os dados fazem parte do artigo “Tendência dos acidentes de trânsito em Campinas, São Paulo, Brasil: importância crescente dos motociclistas”, das pesquisadoras Leticia Marín-León, Ana Paula Belon e Marilisa Berti de Azevedo Barros, do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp e Solange Duarte de Mattos Almeida e Maria Cristina Restitutti, da Secretaria Municipal de Saúde de Campinas. O artigo foi publicado no Caderno de Saúde Pública.
As informações de mortalidade para a elaboração do artigo foram obtidas pelas autoras do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM); as de ocorrências e frota da SETRANSP foram obtidas por meio da EMDEC e as estimativas populacionais foram obtidas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com os dados da pesquisa, entre 1995 e 2008, houve um crescimento da frota de veículos em Campinas. A taxa de motorização passou de 39 para 61 veículos por cem habitantes. O aumento da frota de motocicletas foi ainda mais expressivo, passando de três para nove motos por cem habitantes neste mesmo período. O percentual total de ocorrência de acidentes com vítimas foi de 19,3% em 1995 e aumentou para 24,8% em 2008. No período analisado, o percentual de atropelamentos, que era de 5,6% em 1995, diminuiu para 4,3% em 2008.
“A motocicleta é o veiculo que mais fere e mata pedestres, os motociclistas matam sete vezes mais pedestres do que os carros”, disse a socióloga e demógrafa Ana Paula Belon.
Como as motocicletas tornaram-se muito usadas na entrega de pequenas mercadorias, vários autores apontam que a pressão de empregadores e clientes por rapidez nesse serviço é fator importante na ocorrência de acidentes de trânsito nesta categoria. No entanto, levantamento da EMDEC em Campinas verificou que de 68 óbitos de motociclistas apenas três eram motoboys. Citando dados de outro estudo, as autoras salientam que, além do uso da moto como instrumento de trabalho, 75% da frota no país é usada para deslocamento ao trabalho ou estudo, em virtude de sua rapidez. A não proibição de circulação de motocicletas entre filas de veículos de quatro rodas em movimento, também é apontada em outros estudos como a principal causa de morte dos motociclistas nas grandes cidades.
“A moto é um veículo instável. Derrapa com facilidade. É necessário experiência para dirigir. As motos vão costurando entre os carros. Motorista e passageiro são igualmente frágeis frente a um forte impacto. Por ser um veículo barato, a família ajuda o jovem a comprar uma motocicleta. Mas, às vezes, eles estão comprando a invalidez ou o caixão do filho”, sentenciou a médica epidemiologista Leticia Marín-León. Veja mais.
Os dados fazem parte do artigo “Tendência dos acidentes de trânsito em Campinas, São Paulo, Brasil: importância crescente dos motociclistas”, das pesquisadoras Leticia Marín-León, Ana Paula Belon e Marilisa Berti de Azevedo Barros, do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp e Solange Duarte de Mattos Almeida e Maria Cristina Restitutti, da Secretaria Municipal de Saúde de Campinas. O artigo foi publicado no Caderno de Saúde Pública.
As informações de mortalidade para a elaboração do artigo foram obtidas pelas autoras do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM); as de ocorrências e frota da SETRANSP foram obtidas por meio da EMDEC e as estimativas populacionais foram obtidas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com os dados da pesquisa, entre 1995 e 2008, houve um crescimento da frota de veículos em Campinas. A taxa de motorização passou de 39 para 61 veículos por cem habitantes. O aumento da frota de motocicletas foi ainda mais expressivo, passando de três para nove motos por cem habitantes neste mesmo período. O percentual total de ocorrência de acidentes com vítimas foi de 19,3% em 1995 e aumentou para 24,8% em 2008. No período analisado, o percentual de atropelamentos, que era de 5,6% em 1995, diminuiu para 4,3% em 2008.
“A motocicleta é o veiculo que mais fere e mata pedestres, os motociclistas matam sete vezes mais pedestres do que os carros”, disse a socióloga e demógrafa Ana Paula Belon.
Como as motocicletas tornaram-se muito usadas na entrega de pequenas mercadorias, vários autores apontam que a pressão de empregadores e clientes por rapidez nesse serviço é fator importante na ocorrência de acidentes de trânsito nesta categoria. No entanto, levantamento da EMDEC em Campinas verificou que de 68 óbitos de motociclistas apenas três eram motoboys. Citando dados de outro estudo, as autoras salientam que, além do uso da moto como instrumento de trabalho, 75% da frota no país é usada para deslocamento ao trabalho ou estudo, em virtude de sua rapidez. A não proibição de circulação de motocicletas entre filas de veículos de quatro rodas em movimento, também é apontada em outros estudos como a principal causa de morte dos motociclistas nas grandes cidades.
“A moto é um veículo instável. Derrapa com facilidade. É necessário experiência para dirigir. As motos vão costurando entre os carros. Motorista e passageiro são igualmente frágeis frente a um forte impacto. Por ser um veículo barato, a família ajuda o jovem a comprar uma motocicleta. Mas, às vezes, eles estão comprando a invalidez ou o caixão do filho”, sentenciou a médica epidemiologista Leticia Marín-León. Veja mais.
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