Ação de proteína abre frente para tratamento da leucemia

Após três anos de pesquisa básica realizada no Hemocentro da Unicamp a partir de um novo gene descrito pelo grupo de pesquisa da médica hematologista Sara Teresinha Olalla Saad, acaba de ser publicado, no Journal of Leukocyte Biology, o artigo de capa “FMNL1 promove a proliferação e migração de células leucêmicas”. O artigo foi escrito pela farmacêutica-bioquímica Patrícia Maria Bergamo Favaro durante parte de seu pós-doutorado na Unicamp, em 2010. A pesquisa mostra a ação da proteína FMNL1 – mesmo nome do gene – na migração e proliferação das células leucêmicas e abre a possibilidade de usá-la como novo alvo terapêutico para o tratamento da leucemia. O estudo da FMNL1 começou durante o doutorado de Patrícia, defendido em 2006 na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp no programa de pós-graduação em fisiopatologia médica. Esse gene foi descrito a partir do Projeto Genoma do Câncer Humano, que gerou várias sequências de genes expressos em células cancerígenas. O FMNL1 faz parte da família das forminas, proteínas relacionadas com o controle da formação, diferenciação e sobrevivência da célula. As forminas são encontradas desde fungos, plantas até mamíferos. “São proteínas importantes que fazem parte do citoesqueleto da célula e controlam várias funções, inclusive o desenvolvimento do câncer. No doutorado, vi que o gene FMNL1 estava mais presente nas células leucêmicas. O passo seguinte foi estudar a função da proteína codificada por esse gene na célula”, explicou Patrícia. Nessa etapa da pesquisa foram usados dois tipos de linhagens celulares leucêmicas humanas cultivadas in vitro: as células Namalwa, associadas à leucemia linfoide crônica (LLC) e as células K562, associadas à leucemia mieloide crônica (LMC). Os métodos de análise da migração celular usados por Patrícia na pesquisa foram feitos pela pesquisadora e bióloga da Unicamp Mariana Lazarini, durante seu estágio no laboratório da professora de biologia celular Anne Ridley, do King’s College de Londres. Veja matéria no Jornal da Unicamp.

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